Político rebateu acusações, disse que aplica mais de 12% na área, elogia OSs e diz que modelo de gestão é ‘copiado pelo mundo inteiro’. Vereador cita discrepância em vagas de UTI no HGG.

Marconi Perillo fala sobre investimentos na área de saúde (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Marconi Perillo fala sobre investimentos na área de saúde (Foto: Sílvio Túlio/G1)

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) foi ouvido na manhã desta sexta-feira (20) pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidade na saúde de Goiânia. Ele foi convidado para falar sobre os recursos repassados pelo estado ao município para setor durante sua gestão. O político afirmou que os serviços realizados na área aumentaram nos últimos anos, elogiou a implementação das Organizações Sociais (OSs) e disse que o modelo de gestão “é copiado pelo mundo inteiro”.

Além de Marconi, o secretário estadual de saúde, Leonardo Vilela, também esteve na Câmara Municipal e foi sabatinado pelos parlamentares.

Questionado sobre os investimentos, Marconi disse que tudo ocorreu dentro da lei. “Se eu não cumprir as vinculaçoes, minhas contas não seriam aprovadas. Todas as minhas contas até 2016 foram aprovadas e a de 2017 será analisada e será aprovada com certeza”, afirmou.

O vereador Paulo Daher (DEM), vice-presidente da CEI e autor do requerimento que pediu a presença de Marconi, disse que o governo repassa menos do que os 12% do orçamento, que é estupulado por lei, para a saúde, indagou porque os hospitais estaduais “não abrem as portas para a população” e alegou que, durante o seu mandato, o setor não avançou em termos de atendimento.

Perillo respondeu citando vários números. Disse que construiu 17 hospitais estaduais em seus quatro mandatos e que o Conecta SUS, modelo de gestão que monitora e elabora estratégias para o atendimento de saúde, é referência.

“Cinco comitivas internacionais, quatro ministros, 23 secretários estaduais de saúde e governadores 12 pesquisadores estrangeiros já visitaram o Conecta SUS. Nosso modelo é copiado e referenciado pelo mundo inteiro. Não posso admitir que não houve avanço no atendimento. Temos um sério problema na saúde que se chama regulação”, pontuou.

 CEI da Saúde ouve ex-governador Marconi Perillo sobre investimentos na área (Foto: Sílvio Túlio/G1)

CEI da Saúde ouve ex-governador Marconi Perillo sobre investimentos na área (Foto: Sílvio Túlio/G1)

Ainda sobre a questão, o secretário Leonardo Vilela foi irônico ao responder sobre o fato de unidades como o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) não atender casos de menor complexidade.

“Um hospital como o Hugo, com uma equipe que tem, não dá para atender sutura, tirar verruga, pacientes com sarna e piolho. Esse atendimento cabe à rede básica de saúde. O Hugo atende casos de TCE [traumatismo cranioencefálico], AVC [acidente vascular cerebral], acidentes graves de trânsito e vítimas de arma de fogo. O atendimento é público e gratuito. Quebrou o paradigma de que pobre não tem atendimento com excelência”, frisou.

Serviços e investimentos

Perillo também comentou sobre a atuação da Organizações Sociais (OSs) na direção de algumas unidades de saúde do estado. Ele afirmou que a implantação desse sistema diminuiu a burocracia que existia até então em procedimentos administrativos no setor.

“Antes das OSs, demorava até 6 anos para consertar um aparelho de raio X ou um elevador. Com a implantação desse modelo, tudo é resolvido com mais agilidade. Quem trabalha fica, quem não trabalha, sai”, destacou.

O ex-governador também apresentou uma série de números relacionados aos atendimentos. Afirmou que a taxa de ocupação de UTIs em hospitais estaduais e de 90% e que ele investe na área mais dos que os 12% dos recursos que a lei preconiza. Em 2017, por exemplo, esse montante chegou a R$ 3,6 bilhões, conforme balanço apresentado.

UTI do HGG

O vereador Elias Vaz (PSB), relator da CEI, apresentou documentos que apontam repasse de recursos para administração de 40 leitos de UTI no Hospital Geral de Goiânia (HGG). O contrato apresenta ainda adotivos para o custeio das interações. Porém, segundo o parlamentar, apenas 30 vagas são repassadas para os pacientes.

“O que existe no contrato são 40 UTIs. Está sendo pago esse valor mas a Secretaria de saúde diz que só tem 30 UTIs. O que nós queremos saber é onde foi parar o dinheiro que foi gasto e significa quase R$ 26 milhões. Ou estaria sonegando vaga, o que eles negam, ou estariam sendo pago de forma indevida”, destaca.

Suspeitas de irregularidade

A CEI da Saúde foi instaurada na Câmara dos Vereadores em setembro do ano passado para apurar denúncias de irregularidades no serviço em Goiânia. A atuação foi dividida em duas frentes: uma relacionada a denúncias de superfaturamento em contratos e outra de como o atendimento é prestado ao cidadão.

Os vereadores já fizeram diversas denúncias sobre supostas irregularidades na área. Um dos primeiros itens a ser investigados foi se médicos contratados para atuar na Central de Regulação, responsável por liberar vagas de UTI na rede pública, não estariam trabalhando. Durante visita à unidade, havia diferença entre a quantidade de profissionais existentes e aqueles que deveriam estar atuando.

CEI da Saúde apura denúncias de irregularidades em contratos e no atendimento à população em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

CEI da Saúde apura denúncias de irregularidades em contratos e no atendimento à população em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Outra situação contratual que motivou apuração foi o pagamento de mais de R$ 100 mil feito pela SMS para o mestrado de duas servidoras. O intuito é saber se o desembolso é legal e quais critérios foram utilizados.

Em fevereiro, os vereadores apontaram indícios de superfaturamento em manutenções de ambulâncias. Em um único veículo foram gastos R$ 89,9 mil em um ano e meio com reparos. Ela teve a bateria trocada três vezes em apenas seis meses.

Já em março, a comissão fez um levantamento que apontou que 43% dos leitos de UTI ficaram vagos no último ano. A suspeita é que isso seja motivado por uma seleção de pacientes que ocupam essas vagas, de forma a escolherem pacientes menos graves, reduzindo os custos do hospital.

Fonte: G1

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